“O HOMEM QUE LÊ”
[‘O Livro das Imagens’, Rainer Maria Rilke]
Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde… em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista
alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo
mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.
E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.
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MOMENTO “DICA DE LEITURA ---
SINOPSES
SINOPSES
1 – “60 Anos Depois
– Do outro lado do campo de centeio” – Fredrik Colting = '60 anos
depois' é a continuação de 'O apanhador no campo de centeio'. Fredrik Colting
mescla aqui criador e criatura. Em um dia aparentemente normal, o sr. C. acorda
e sente a compulsão irresistível de fugir. Assim embarca em uma jornada curiosa
pelas memórias comoventes de sua vida.
2 – “A Pianista” –
Alfriede Jelinek = O
selo Tordesilhas disponibiliza, pela primeira vez para o público brasileiro,
uma obra da Nobel de Literatura de 2004, a austríaca Elfriede Jelinek.
Publicado em 1983, o romance A pianista foi um gerador instantâneo de
polêmicas, sobretudo pela forma direta pela qual expõe as perversões sexuais da
protagonista e sua conturbada relação com a mãe. Além disso, foi sentido como
um soco no estômago pela moral da classe média austríaca, um triste prenúncio
dos escândalos que temos acompanhado ultimamente, como entende o apurado
posfácio de Marcelo Backes.
3 – “Caravaggio – Um
nome escrito com sangue” – Matt Rees = Uma
vida entre o sagrado e o profano: a história de Caravaggio, um dos mais
talentosos e polêmicos gênios da História. Gênio da arte, mestre do barroco, ou
um boêmio, violento e blasfemo? Michelangelo de Merisi da Caravaggio foi, ao
longo dos séculos, pintado com as mais diversas cores, julgado e idolatrado por
sua rebeldia e por seu incrível talento.
O grande artista foi capaz de chocar a sociedade italiana ao
pintar figuras elevadas (papas, santos ou mesmo a Virgem) tendo como modelos
personagens do cotidiano (camponeses, mendigos ou prostitutas) e, ao mesmo
tempo, de deslumbrar os homens mais poderosos de seu tempo com obras de
incontestável beleza. Em Caravaggio: um nome escrito em sangue, o premiado
autor Matt Rees apresenta sua versão dessa história, em um jogo de luz e
sombras que certamente encantará os fãs de arte e de um bom romance.
4 – “Hibisco Roxo”
– Chimamanda Ngozi Adichie = Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra
como a religiosidade extremamente “branca” e católica de seu pai, Eugene,
famoso industrial nigeriano, inferniza e destrói lentamente a vida de toda a
família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho
que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã,
professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua
clara violência e opressão, Eugene é benfeitor dos pobres e, estranhamente,
apoia o jornal mais pro-gressista do país.
Durante uma temporada na casa de sua
tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a
Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as
aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta
um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes
invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no
resto do continente.
5 – “Jardim das
Mentiras” – Eilen Goudge = Numa sombria
noite de julho, em 1943, Sylvie Rosenthal dá à luz uma menina morena, filha de
seu amante Nikos. Atormentada pelo medo de que seu marido, mais velho e muito
rico, venha a abandoná-la e aproveitando-se de uma trágica oportunidade do
destino, ela troca a filha por uma menina loura, cuja mãe acaba de morrer no
incêndio que ameaçava destruir o hospital.
Rose, a verdadeira filha de Sylvie, cresce numa pobreza
digna, cuidando de uma avó detestável. Luta para ser advogada, sob a orientação
do brilhante e afetuoso Max Griffin, que a ama com uma paixão que levará anos
para ser declarada. Rachel, criada como filha de Sylvie numa elegante mansão,
dedica sua vida à medicina. Marcada por uma decepção amorosa, ela se apresenta
como voluntária pra servir no Vietnã, onde luta para salvar a vida de um
soldado e acaba se apaixonando pelo único homem que jamais deveria ter
conhecido.
Este irresistível romance se desenrola das ruas de Manhattan
às selvas do Vietnã assolado pela guerra e culmina em Nova York, numa dramática
cena de tribunal, onde finalmente vem à tona o terrível segredo que reside no
âmago do Jardim das Mentiras.
6 – “Pela Lente do
Amor” – Megan Maxwell = Ana Elizabeth troca o luxo e a riqueza da sua
aristocrática família londrina pelas calles madrilenas, em busca do seu sonho:
ser fotógrafa. Dona do seu nariz, ela monta com a amiga Nekane um estúdio
fotográfico na capital espanhola e segue seu caminho de sucesso. No dia em que
o prédio onde trabalham enfrenta um incêndio, Ana conhece Rodrigo, um dos bombeiros
que atendem ao chamado da ocorrência. A troca de olhares aquece não só o corpo
da fotógrafa, mas também seu coração e ela se entrega à inusitada amizade com
benefícios que nasce entre eles. Apesar de cúmplices, um balde de água fria vai
comprometer a liga dessa relação, quando Rodrigo um mulherengo de carteirinha
descobrir que sua querida Ana está grávida de um turista suíço que passou por
sua vida sem passagem de volta e de quem ela só sabe o nome. E o que dirá sua
pomposa família quando souber que ela está grávida de um desconhecido e é
amante de um bombeiro pobretão? Só a leitura do livro revelará!






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